15 de Outubro de 2014

Report: notícias

prioridades para o desenvolvimento sustentável

“Já temos tecnologia, modelos de negócios, mas não na escala e na velocidade necessárias para de fato transformar”, diz o início da carta de apresentação da Agenda CEBDS - Por um país sustentável, documento lançado em agosto pelo Conselho Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Para alcançar essa escala, a parceria com o governo é fundamental e, por isso, o Conselho articulou seus associados em uma carta com 22 propostas que possam impulsionar negócios e melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.

A mensagem foi entregue aos candidatos à presidência. Mas e depois de apontar as propostas relacionadas aos pilares econômico, social e ambiental, o que acontece? Para esclarecer o que está por traz das sugestões e como elas podem impactar a sociedade e as próprias empresas proponentes (que são cada dia mais cobradas), a presidente do CEBDS, Marina Grossi, responde.

report: Como foram escolhidos os cinco macrotemas?

Marina Grossi: O objetivo de promover a economia verde e colocar a sustentabilidade em pauta no país envolveu CEOs de 24 empresas associadas ao Conselho, que durante o ano se reuniram em uma série de encontros, promovidos pelo CEBDS. Também fizeram parte do desenvolvimento técnicos e especialistas, que contribuíram na definição das 22 propostas de políticas públicas contempladas em cinco macrotemas. 

report: Como a Agenda impacta a responsabilidade das empresas, reforçando a necessidade de melhoria da sua gestão e o desenvolvimento de práticas mais sustentáveis?

Marina: Essa agenda nasce como uma proposta de diálogo entre as empresas e o setor público. As empresas vêm se mobilizando em torno da sustentabilidade e buscando entender a melhor forma de internalizar a variável ambiental e social no seu planejamento. Muito já está sendo feito e não faltam casos de sucesso para ilustrar isso, mas certamente ainda se pode fazer muito mais. Para que isso aconteça é imprescindível que governos e empresas possam atuar juntos, identificando e removendo as atuais barreiras para que soluções de negócio mais sustentáveis possam sair do papel e ganhar escala.

report: Qual o papel das empresas associadas para que a Agenda possa ser viabilizada e para que haja avanço nas questões mais urgentes?

Marina: O documento foi apresentado aos candidatos à presidência, que devem sinalizar as propostas de governo com aderência e comprometimento pleno. A ideia é transcender o processo eleitoral, buscando um diálogo estruturado e incluindo a sustentabilidade no centro das discussões.

Após a definição do próximo presidente, será feito um novo encontro para a criação de um fórum permanente de acompanhamento do que foi discutido. Para promover uma interação entre governo, empresas e sociedade civil, o CEBDS planeja utilizar sua plataforma online para que os cidadãos possam acompanhar os avanços e possíveis desdobramentos de tais propostas.

report: Como as propostas foram recebidas pelos candidatos?

Marina: Acreditamos que as inovações produzidas pelo setor empresarial podem revolucionar a administração pública. Já faz alguns anos que as empresas com visão de futuro promovem ações importantes na área de sustentabilidade. Contudo, percebemos que falta escala. Os benefícios ambientais, sociais e econômicos dessas iniciativas voluntárias ficam, invariavelmente, restritos ao âmbito da cadeia produtiva das empresas.  

Existem alguns exemplos importantes de marcos regulatórios que incentivam a sustentabilidade, mas algumas lacunas permanecem. Na sua essência, as propostas da Agenda CEBDS demonstram que é possível corrigir essa distorção. O diálogo entre as empresas e os governos, buscando ampliar os seus benefícios para a sociedade brasileira, é o caminho para chegarmos ao final desta década vivendo num país melhor, no qual o crescimento econômico passe a incorporar efetivamente as demandas ambientais e sociais. Estamos, portanto, contribuindo para que o processo eleitoral discuta propostas capazes de alavancar o país nos próximos anos.

+ Leia as propostas dentro dos principais macrotemas:

 Economia verde competitiva - para agregar valor aos produtos da indústria brasileira

 

 Regulamentação dos recursos naturais - para valorizar e proteger os ativos naturais brasileiros

 

 Saneamento, saúde e qualidade de vida - ampliar o acesso à infraestrutura e serviços básicos e de qualidade para a população

 

 Mobilidade, reciclagem e construção sustentável - para promover eficiência e qualidade de vida nos centros urbanos brasileiros

 

 Consumo inteligente e energia limpa - liderar a transição para a economia de baixo carbono