11 de Novembro de 2013

Report: ensaio

infográficos e diagramas: informação visual

Por Guilherme Falcão, Gustavo Inafuku e Fernando Rocha*

Foi no ano de 1976 que Richard Saul Wurman, arquiteto e designer gráfico, cunhou o termo “arquitetura da informação”. Segundo Wurman, “a explosão de informações” da sociedade contemporânea exigia “uma série de sistemas, um design sistêmico”. No entanto, há quem diga que essa obsessão em encontrar maneiras de organizar informações complexas de maneira a tornar clara sua compreensão, sobretudo com o uso de recursos visuais, acompanha a humanidade desde antes do mundo eletrônico ou digital. 

Lançado em 2012, o livro 100 Diagrams That Changed The World (100 diagramas que mudaram o mundo), resgata exemplos de toda a história de nossa civilização. Estão lá a Pedra de Rosetta, diagramas árabes de eclipses lunares dos idos de 1019 (veja a imagem abaixo), o Homem de Vitrúvio, e até esquemas de CPU dos primeiros modelos Intel, direto da década de 70.

Ao longo dos últimos 10 anos temos visto a arquitetura de informação fazer cada vez mais parte de nosso cotidiano. Seja em plataformas online ou impressas, tais representações deixaram de ser privilégio de publicações de ciência ou economia. Há um número cada vez maior de diagramas, esquemas e infográficos se propondo a explicar de maneira simples fatos como a crise financeira global, o funcionamento da deep web, ou o recente escândalo de espionagens do governo dos EUA.

Essa obsessão contemporânea pelos dados visuais foi chamada por alguns de infoporn (termo combinando “informação” com “pornografia”, aludindo ao prazer obsessivo de olhar e produzir). Um dos exemplos mais notórios é o do designer norte-americano Nicholas Felton, que desde o ano de 2005 publica um relatório anual sobre sua própria vida (veja a imagem abaixo). Hábitos de lazer, escolhas de vestuário e localidades visitadas estão entre alguns dos dados que Felton compila anualmente, publica e vende em seu próprio website.

  

Mas, para além do apelo estético, a visualização de dados é uma ferramenta que busca facilitar o entendimento da análise de dados. Um exemplo histórico é o da inglesa Florence Nightingale, enfermeira que trabalhou nos hospitais de campanha da guerra da Crimeia. Ao voltar para a Inglaterra dos anos 1857, ela publicou um engenhoso diagrama (veja a imagem abaixo) onde demonstrava - visualmente - a causa das mortes durante o conflito, demonstrando claramente o crescimento exponencial de fatalidades causadas por má higiene e como esses números superavam - e muito - as perdas durante o combate. Seu relatório foi determinante pra mudança das políticas de higiene nos hospitais ingleses e iniciou a reforma do sistema hospitalar no mundo todo. 

Não por acaso, grandes empresas passam a enxergar o potencial da arquitetura de informação. Desde 2009, a GE mantem um blog sobre o assunto, explorando os dados coletados na manufatura e utilização de seus produtos. O resultado (veja a imagem abaixo), além de tornar públicas as informações acumuladas, é uma forma de a organização gerar maior autoconhecimento e agir com transparência, traçando seus planos estratégicos e tornando-os acessíveis publicamente.

 

*Guilherme Falcão, Gustavo Inafuku e Fernando Rocha são designers na Report Sustentabilidade