1 de Outubro de 2013

Report: ensaio

revistas e plataformas dão voz à sustentabilidade

Por Gustavo Inafuku e Fernando Rocha*

Quem trabalha com sustentabilidade sabe que a responsabilidade corporativa vai muito além de questões ambientais, com diversos tópicos sobre impactos sociais e econômicos. Mas, até pouco tempo, sustentabilidade era para a grande maioria sinônimo de ecologia. Ou – pior ainda – uma febre do momento, em que empresas desenvolviam ações completamente desvinculadas de seus negócios para passar uma percepção de “fachada verde” – o famoso greenwash

Aos poucos, por conta de fatores como crises econômicas e o avanço da comunicação em rede, o assunto ganhou contornos menos nebulosos – hoje, tem adeptos em diversos setores da sociedade, para além dos campos corporativo e científico.

Não por acaso, plataformas e publicações que discutem aspectos de sustentabilidade têm crescido e se consolidado, levando os temas para perto do grande público.

Colors magazine

http://www.colorsmagazine.com

Iniciativa da dupla Oliviero Toscani e Tibor Kalman, planejada no início da década de 1990 na Fabrica (braço de pesquisa em comunicação do Benetton Group), a “revista sobre o resto do mundo” dedica cada edição à exploração de um tema: já foram abordados AIDS (quando ainda era um forte tabu), Religião, Guerras, Sexualidade, Pobreza, Mudanças Climáticas e Consumo. Sempre com um olhar globalizado, a revista é publicada em diversos idiomas, entre eles português, chinês e italiano.

Ao longo dos anos, o objetivo da publicação permaneceu o mesmo: expor assuntos muitos vezes ignorados pela mídia tradicional, com forte apelo gráfico. Tibor Kalman, idealizador e diretor de arte nos primeiros cinco anos, descreveu a revista como “uma mistura psicodélica da LIFE e National Geographic para a geração MTV (o que quer seja isso)”. 

 

Além da revista, a COLORS também produz livros e documentários premiados, como “Rocinha” (sobre a favela carioca) e “Aral”, no qual acompanham a última geração de pescadores desse grande lago do Cazaquistão que tem diminuído drasticamente desde os anos 1960, quando grandes projetos de irrigação da antiga união soviética desviaram rios que desembocavam no que já foi um dos maiores lagos do planeta.

GOOD

http://www.good.is/

Autodefinida como “uma comunidade de pessoas que se importam”, a iniciativa toma a forma de uma rede social online, uma publicação impressa e um aglutinador de empreendedores. Pelo canal virtual, os participantes compartilham ideias e experiências relevantes para a criação de novas mentalidades focadas no progresso individual e coletivo.

 

Fast Company

Com foco inicial no mundo corporativo, a revista ampliou seu raio de alcance por meio de seu website, que fala sobre inovação nos negócios, no design, na tecnologia, nas comunicações e no modo de vida contemporâneo. O que a distancia da maioria das publicações de negócios é o fato de buscar experiências transformadoras da cultura corporativa, com destaque para práticas que impulsionem a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Para além dos exemplos citados aqui – publicações de circulação global, que são negócios já bastante estruturados –, outras iniciativas apontam para o amadurecimento de temas de sustentabilidade no mercado editorial e nas plataformas de comunicação. Comunidades online, o ativismo virtual e ferramentas de criação e financiamento colaborativas são um forte indício de que está em curso uma mudança essencial na forma como os indivíduos se relacionam entre si e com o mercado.

O que está claro: essas pessoas querem mais qualidade de vida (o que não significa necessariamente mais dinheiro), mais transparência e a valorização das experiências – ao invés de apenas mais e mais produtos. É a esses significados que a sustentabilidade deve se vincular para não se tornar um jargão empoeirado.

 

*Gustavo Inafuku e Fernando Rocha são designers na report