14 de Maio de 2013

Report: opinião

o poder da transformação real

Por Álvaro Almeida*

O Sustainable Brands Rio chegou, chegando. Conseguimos transmitir pela primeira vez, aos líderes de sustentabilidade no Brasil, o espírito dessa rede que alcança cerca de 500 mil pessoas no mundo e reúne os profissionais dedicados a transformar o jeito de se fazer negócios. Ficou claro que esta não é uma comunidade para chororô e lamúrias. É um espaço para o debate construtivo de ideias, para a criação de conexões colaborativas, para aprender com a experiência concreta do concorrente, para captar tendências.

Tudo isso pôde ser experimentado no Rio nos dias 8 e 9 de maio. Descobrimos que os brasileiros são os consumidores mais sensíveis ao tema da sustentabilidade, segundo pesquisa das consultorias GlobeScan e SustainAbility. Também pudera, as diferenças sociais e os recursos naturais estão muito próximos de nós. Entendemos também pela incrível verve de Sílvio Meira, cientista-chefe do Porto Digital, que a performance contínua de uma organização no âmbito das pessoas, do planeta e da prosperidade é o que permite a construção da reputação em redes sociais (por meio de conexões, relacionamentos, interações, significados e conhecimento) e, consequentemente, da marca. Assim, só há marcas sustentáveis em empresas sustentáveis e isso é o que está movendo as mais de 150 empresas que compareceram à conferência.

Toda essa necessária evolução dos processos produtivos e dos modelos de negócios pedem inovação, o que, no final do dia, viabiliza as oportunidades da Nova Economia. E é curioso ver como as soluções podem estar ao nosso redor, na natureza, como Fred Gelli, designer e especialista em biomimética, definiu: "O maior e mais rico departamento de P&D que conhecemos é a natureza". Foi onde a TerpenOil buscou a base para a produção de soluções de limpeza 100% orgânicas, desenvolvidas em parceria com a Universidade Federal do Ceará. Essa é uma tendência clara dos novos tempos: empreender de forma colaborativa para o desenvolvimento de um negócio lucrativo, a partir de uma tecnologia inovadora que não agride a saúde das pessoas, nem o meio ambiente.
 
Inovações com a mesma pegada das que ganharam corpo na Natura há quase 10 anos, com o sucesso da linha Ekos, que transformou os ativos da biodiversidade brasileira na principal plataforma tecnológica da companhia e promoveu uma onda de transformação em todo o negócio. Ao ponto da empresa agora desenvolver e lançar um produto (apresentado em primeira mão no SB Rio) totalmente concebido para disseminar o conceito do consumo consciente nas consultoras e consumidoras.
 
Tão importante quanto buscar novas tecnologias, como mostraram gigantes do tamanho de GE e BMW, é engajar e formar arranjos que permitam o ganha-ganha. Natura, Walmart e HP nos deram exemplos de como desenvolver soluções de forma conjunta com os mais diferentes parceiros. A HP, por exemplo, apoiou o lançamento no SB Rio de uma nova empresa, a Sinctronics, que transformou a reciclagem de todos os aparelhos eletroeletrônicos em seu próprio negócio. Com isso, vai permitir que a HP e outras companhias possam ampliar a quantidade de materiais reciclados em seus novos produtos. É como disse Pedro Luiz Fernandes, CEO da Novozymes: "Não existe lixo. Lixo é o resíduo que nós maltratamos". Constatamos que a Economia Circular emerge no Brasil.
 
No SB Rio, entendemos também que o empreendedorismo é um pilar da sustentabilidade, afinal, permite transformar o futuro. Foi o que fez Bento Koike, fundador da Tecsis, que nos últimos doze anos tornou a energia eólica possível no Brasil e no mundo. Ela é a segunda maior produtora global de pás eólicas e contribuiu ativamente para a viabilização econômica dessa fonte alternativa de energia. Realidade que possibilitou à Brasil Kirin anunciar no evento o investimento em um parque que irá suprir 1/3 da energia necessária para todas as fábricas de bebidas da companhia no Brasil. Ficou claro que o Brasil está pronto para depender menos do petróleo.
 
Antes país do futuro, o Brasil respira o espírito do nosso tempo. E vive uma transformação liderada por empresas e sociedade civil, que pautará os governantes, não o contrário. O que o nosso jovem quer das empresas e das marcas? "Propósito... e transparência", respondeu Carla Mayumi, da Box1824, agência que analisa as tendências dos jovens de 18 a 24 anos. Há um grupo de jovens-ponte que irão hackear nossa sociedade, quebrar os códigos que não fazem mais sentido. Esses jovens estabelecem conexões, impulsionados pelo mundo em rede, e têm uma visão de coletivo. Por isso, o Coletivo, negócio social da Coca-Cola, faz tanto sentido em nossas comunidades de baixa renda e começa a inspirar outros países. Não por acaso, a força do painel de experiências do Sustainable Brands Rio 2013 esteve no conjunto dos conteúdos e apresentações. Nesse ano de estreia, o que brilhou foi o poder da proposta: apresentar casos concretos de empresas e organizações que estão transformando a forma de se fazer negócios e construindo as marcas do futuro. Feito. Que venha o SB Rio 2014.
 
*Álvaro Almeida é sócio-diretor na Report Sustentabilidade